domingo, 16 de janeiro de 2011

Então é verdade

Lembro-me do sentimento de completude e de paz que senti durante os nove meses em que você esteve aconchegado em minha barriga.

Vivemos também alguns momentos de medo e incerteza causados, principalmente, pela toxoplasmose. Estávamos conscientes dos riscos, mas os sentimentos que predominaram naqueles 9 meses mágicos foram de serenidade, otimismo e alegria, mesmo diante de algumas divergências entre as opiniões dos médicos.

Amparada pelos braços e pelo amor do seu pai, senti-me corajosa para enfrentar o que viesse.

Durante toda a gravidez tomei antibiótico para evitar a contaminação da placenta e, logo que você nasceu, foram prescritos para você  quatro antibióticos de uso contínuo.

Nos seus primeiros seis meses de vida  você tomava, diariamente,  seis remédios e foi  acompanhado por uma infectologista e um nefrologista. 

8 meses em pé no cerdadinho (9)Até que, em dezembro do ano passado, apesar da divergência médica persistir, você foi liberado de dois dos antibióticos. Hoje tudo caminha  muito bem.

Lembro-me de que, pouco depois que você nasceu, eu andava pela casa e, de vez em quando, assustava-me ao te ver no berço dormindo. Vinha uma sensação de surpresa, de felicidade, e eu pensava estupefata: “então é verdade, temos um filho”.

Essa semana, ao te ver com mais de nove quilos,  dois dentinhos, se equilibrando em pé no cercadinho,  assustei-me novamente: Como pode? 8 meses em pé no cerdadinho (8)

Outro dia eu e seu pai esperávamos o seu nascimento. Agora você espera a mamãe chegar do trabalho e, de manhã, a mamãe espera você acordar. O seu despertar é doce. Todos os dias, por volta de 7 horas, você começa a conversar baixinho até que vou lá te buscar para brincarmos um pouco e, em seguida, você mamar.

Esses momentos são de uma delicadeza indizível. Você mama me olhando e me apertando, estica os braços para alcançar o meu rosto, olha nos meus olhos, pega no meu queixo e continua mamando com a mão na minha bochecha.

sábado, 15 de janeiro de 2011

E quando eu voltei a trabalhar…

Quando voltei a trabalhar seu pai entrou de férias e, com isso, meu retorno foi muito mais fácil do que eu havia imaginado.

Ele troca suas fraldas, dá banho, dá a frutinha da manhã, te coloca para dormir e, nos fins de semana, me ajuda a fazer sua papinha.

Filho, você tem um Paizão!

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Privilégio

P1110472 Meu pequeno, hoje você completa 8 meses e eu não paro de pensar no quanto a vida tem sido generosa conosco.

Tenho plena consciência - e gratidão - pelo fato de ter usufruído seis meses de licença  maternidade e, assim, ter podido me dedicar integralmente a você.

E mesmo depois que voltei a trabalhar, está dando para adequar o horário do almoço para coincidir com a madada da tarde.

Além disso, continuo podendo te dar o banho de sol antes de sair de manhã e, em alguns dias, até  consigo chegar a tempo de te dar a papinha da noite.

É muito privilégio…

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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Cama desarrumada

Quase 8 meses na cama (4)Ontem na TV da sala de ginástica do prédio estavam ensinando como arrumar a cama. Duas vizinhas começaram a falar sobre técnicas de dobrar lençol e, com isso, eu lembrei-me de que pouco tempo depois de casada decidi parar de fazer a cama.

O papai seguiu fazendo nossa cama por um tempo, até que percebeu que só ele a fazia. Quando me indagou o porquê, eu disse que por mim ele não precisaria arrumá-la e que eu gostaria de ter a liberdade de não fazê-lo se eu não estivesse com vontade, ou seja, todos os dias. Desde então nossa cama passou a ficar mais desarrumada do que feita.

Quase 8 meses na cama (5)Olhando para trás percebo que, rebelde aos 26 anos, decidi não mais fazer a cama. Concluí que já havia esticado lençóis todos os dias de minha vida até então e que, agora,  morando na minha própria casa, se eu não quisesse não precisaria mais seguir essa rotina.

A partir daí,  nossa cama só era feita no dia da diarista. Eu e seu pai passamos a “pedalar” todas as noites para esticar o lençol.

Atualmente a Sueli  a arruma quando quer. O mais engraçado é que ela também não faz a cama todos os dias e nós não ligamos nem um pouco dela continuar desarrumada.

Quase 8 meses na cama (1)

Hoje, enquanto eu caminhava na esteira ouvindo as dicas e ensinamentos das vizinhas, refleti sobre a minha decisão de não mais fazer a cama. Talvez, inconscientemente, essa opção represente mais um passo para a minha libertação de um passado de hierarquia, de tarefas a cumprir e de uma educação à moda holandesa para lá de  rígida.

Quase 8 meses na cama (2)

Lembro-me de que a sua tia Heidi embolava o lençol embaixo do edredom para enganar o vovô Louwerens e que, por muito tempo, isso passou despercebido, até que um dia ele descobriu a manobra.

Demorou algum tempo para eu descobrir que, na minha casa, se eu não quisesse, não precisaria mais fazer a cama. Ainda sigo muitas regras que  não são minhas, e continuo com a característica de ser uma pessoa bastante organizada. Nossa casa é quase toda impecável, mas a cama por fazer é uma zona de libertação, a minha faixa de gaza, um símbolo que representa e encerra algumas tendências inconscientes e padrões de comportamento impostos.

Quase 8 meses na cama (3) Não pense que com isso você estará liberado para não fazer sua cama ou para não organizar seu armário e quarto quando já for grande o suficiene para tanto.

Acredito que regras são bem vindas e moldam  a nossa personalidade, mas chega um momento em nossas vidas em que devemos olhar para dentro com o intuito de  descobrir as nossas próprias regras e valores, assumindo o leme e direção a seguir. E isso não é tão fácil quanto parece. Demanda muita observação, paciência, persistência.

O que te digo é que resultado vale a pena. Tudo o que nos torna mais conscientes de nós mesmos, mais centrados e atentos ao que está acontecendo em nosso interior vale muito a pena, meu filho.

Quero te ver independente, criando e descobrindo suas próprias regras, rejeitando e acatando as que eu colocarei em sua vida por amor, por proteção. Tudo no seu devido tempo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Vida saudável

7 meses banho de sol (1) Todos os dias, por volta de oito horas, eu e você descemos para área de lazer e, enquanto você curte o seu banhozinho de sol, mamãe faz  alongamentos e abdominais.

Em seguida, vamos juntos para sala de ginástica e, enquanto você fica no carrinho entretido com seus brinquedos, mamãe levanta pesos, faz ginástica localizada e caminha ou corre na esteira.7 meses banho de sol (6)De uns tempos para cá eu e seu pai mudamos alguns hábitos antigos e, seguindo o exemplo de seus avós,estamos buscando uma vida mais natureba e saudável.

7 meses banho de sol (2) Nossa alimentação mudou. Aumentamos a quantidade de frutas, legumes e folhas, reduzimos um pouco o açucar, as gorduras como frituras e manteiga, e trocamos o arroz branco e o bromatão – forma com o vovô Louwerens chama o paõzinho francês – pelos pães e arroz integral.

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Não podia ser diferente…. Vovó Lourdes, aos 83 anos, além de caminhar na Praça da Liberdade, faz yoga e hidroginástica.

Vovó Marília e VVB optaram por morar em uma chácara fora de Belo Horizonte e  caminham todos os dias pelo Condomínio Aldeia Cachoeira das Pedras.

Além disso, adoram fazer caminhadas mais longas explorando a Lunch Hill e demais montanhas, cachoeiras e rios das redondezas. Os dois não comem carne com muita frequência e produzem em casa o próprio iogurte e pão integral com vários grãos.

E  o Vovó Louwerens, apesar de ser MUITO guloso, sempre prega a importância de uma alimentação saudável e compensa os excessos  e frequentes escapulidas  fazendo musculação e dançando tango e várias outras danças de salão.

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Brincando no tapetinho

No dia em que estreiamos o tapetinho de borracha você, com quase sete meses, sentou-se pela primeira vez.

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Contrariando sugestões de amigos, demoramos muito a te colocar no chão sem o edredom e, logo na primeira oportunidade em um solo mais firme, você foi capaz de sentar-se sozinho. 

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E mais uma vez eu ri com o papai Osmar: “Esse menino sobrevive por milagre”.

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É isso aí filhote, apesar dos pais meio atrapalhados você tem feito tudo certinho. 7 meses  no tapetinho (4)7 meses  no tapetinho (3)7 meses  no tapetinho (2)  

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Que venha 2011

Fim de ano é época de fechamento, de balanço e de reflexão. Por mais que saibamos que nenhuma mágica acontecerá do dia 31 para o dia primeiro de janeiro, a cada fim de ano acabo me rendendo ao espírito de renovação e de recomeço. Nessa virada o sentimento que predomina na mamãe é o de gratidão.

Gratidão pela generosidade do Universo, gratidão por termos sido contemplados com você: um filho tão doce, tão lindo tão tranquilo e saudável.

Gratidão pelos sentimentos e desafios desencadeados a partir da nossa escolha de ter você em nossas vidas e pela oportunidade de crescimento que você nos proporciona a cada dia.

Gratidão pelo sentimento de responsabilidade e também pela necessidade que surgiu de tentarmos ser pessoas melhores por sua causa.

Gratidão pelo fato de que, ao que tudo indica, confirmando nossas expectativas e esperança, o fantasma da toxoplasmose praticamente já não nos assombra mais.

Gratidão por você ter chegado e ter trazido leveza e delicadeza em um ano particularmente difícil para a vovó Marília e a para sua madrinha Marina.

Que venha 2011 e que, no ano que se inicia, tenhamos sabedoria, paciência, criatividade, inspiração, consciência ambiental, que sejamos menos consumistas e que sigamos atentos à responsabilidade individual de cada um de nós por suas próprias escolhas.

Abaixo seguem as palavras que enviei aos nossos amigos e familiares no fechamendo dos últimos cinco anos .

2009/2010

Queridos amigos,

Escrevo a vocês do litoral de Alagoas, aonde viemos passar duas semanas entre Recife e Maceió em nossa "despedida de solteiros", para dividir a boa nova: saiu o resultado da punção de líquido amniótico exame feito para verificação se houve ou não contaminação do toxoplasma na placenta. O resultado, como esperávamos, deu negativo, ou seja, sem contaminação. O Zezim - ainda não escolhemos o nome - está se desenvolvendo bem e eu não tive enjôos e nenhum desconforto típico de gravidez. Sinto-me muito privilegiada por ter me dado tão bem com os hormônios que tanto bagunçam as mulheres grávidas.
A única coisa chata da minha gravidez é que estou no antibiótico há quatro meses e ainda não sei se e nem quando poderei parar de tomar. Mas isso é o mínimo. Só de saber que o 'nosso' menino está bem, que tem tamanho e peso acima do esperado para a idade gestacional fico muito feliz e corajosa para enfrentar o que vier.
Por falar em coragem, queria agradecer a cada um de vocês.
Vocês não podem imaginar o quanto me senti apoiada e acolhida e, por isso, fui capaz de enfrentar esse susto com serenidade, maturidade e muita esperança.
Ontem o papai Osmar, que está uma delícia como papai e muito participativo, sentiu o Zezim mexendo pela primeira vez. Um sonho...
Quero, com essa mensagem, agradecer e mandar meu abraço a cada um de vocês e dividir a felicidade que estamos vivendo e a beleza desse lugar que tem inúmeras praias desertas, sem turistas, sem som alto, sem farofada e ônibus da CVC.
Aliás, isso até tem, mas, enquanto podemos corremos da multidão e, por aqui, isso não é uma tarefa muito difícil.
2010 será uma nova fase, novas descobertas, novos desafios que ficam menores por termos amigos que nos apóiam e que torcem por nós e pelo melhor.
Desejo que tenhamos amor, saúde e coragem para escutarmos o que vem de dentro, sem julgamentos, sem preconceitos.
Que possamos ser livres para fazer nossas escolhas de forma mais consciente, sem nos prendermos às expectativas que depositam - e que também depositamos- em nós mesmos.
Que possamos aceitar nossa imperfeição, a imperfeição da vida e dos outros e que tenhamos humor, criatividade e coragem para lidar com os desafios e surpresas que ainda estão por vir. Bom é isso! Acho que essa gravidez e esse lugar estão me inspirando. MUITO OBRIGADA A CADA UM DE VOCÊS! Annabel e Zezim

2008/2009

Eu e o Osmar passamos o Réveillon de 2008/2009 a 4.000m acima do nível do mar, na Cordilheira Branca, Peru. A mensagem que mandei para os amigos e familiares foi:

Que em 2009 possamos continuar evoluindo, tornando-nos cada vez mais responsáveis por nossas escolhas e por nossos erros. Que tenhamos coragem para abraçar a vida e extrair tudo de bom que ela oferece! Annabel

2007/2008

Que em 2008, independentemente das circunstâncias que nos cercam, possamos estar mais conscientes da nossa responsabilidade por nós mesmos.

Que sejamos capazes de sentirmo-nos mais confortáveis com nossa forma de agir, de sentir, de viver, de errar e de sorrir para nós mesmos e para aqueles que nos cercam.
Que possamos ser mais simples, mais humildes e mais alegres.
Abraço carinhoso da Annabel Lee

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2006/2007

Esse ano minha mensagem de Natal e de fim de ano será mais cedo. Aqueles que estão mais próximos sabem que 2006 foi um ano difícil para mim... Vocês que me conhecem um pouco mais, sabem que não sou do tipo de ficar reclamando da vida. Pelo contrário! Vocês sabem que sou mais de agradecer, que sou do tipo de pessoa que procura, assim como sei cada um de vocês também sempre procura a melhor perspectiva de cada situação.
Mesmo assim, existem períodos (ou situações, ou momentos) que parece que a vida está nos testando, querendo ver até onde aguentamos, querendo ver os nossos limites.
Penso que estamos aqui para evoluir, para crescer espiritualmente e para aproveitarmos ao máximo esses efêmeros momentos que a vida nos proporciona.
Após ler um livro e, depois da viagem ao Rio com a Marina, minha irmã, ocorreram-me alguns pensamentos que gostaria de dividir com vocês como a minha reflexão para o próximo ano.
Acredito que os momentos que vivemos nessa vida são passageiros e não mudam a nossa essência. No máximo nos ensinam e fazem com que passemos a valorizar o que realmente importa. Algumas situações vêm para que possamos evoluir, amadurecer e aprender que tudo nessa vida é impermanente. A felicidade, a tristeza, as pessoas, a matéria... Tudo passa.... Não há como fugir disso. Nós também passamos.
Quando nos apegamos a pessoas, ou a situações, fatos, a episódios ou a momentos, estamos errados. Tudo é muito efêmero.
E a nossa dificuldade de envelhecer, de ver que a vida é passageira, que não levaremos nada nem ninguém dessa vida, e a nossa dificuldade de aceitar que a saúde é algo temporário, que as pessoas vêm e vão e que isso não é bom nem ruim, tudo isso faz com que neguemos a nossa mortalidade.
Somos muito frágeis, somos todos passageiros (tirando o motorista e o trocador, não é Dr. Paulo Spezialli?).
Se fôssemos capazes de aceitar a nossa impermanência e se acreditássemos na impermanência de tudo, na impermanência da tristeza e também na impermanência da felicidade e, principalmente, se aceitássemos a nossa mortalidade, com certeza sofreríamos MUITO menos!
Desapego: essa é a palavra a merecer reflexão.
Desapego a pessoas, aos sentimentos (sejam bons ou sejam ruins), desapego a situações, momentos, aos velhos hábitos, desapego à vida!!!
FELIZ 2007 PARA TODOS NÓS!!!!
Que possamos aproveitar a vida para continuar evoluindo e que o caminhar seja mais leve e mais alegre. Annabel Lee

2005/2006

E mais um Natal chegou...
Talvez na correria do dia a dia eu não tenha encontrado tempo suficiente para me dedicar ao que mais me importa nessa vida: vocês, MEUS AMIGOS!
Talvez alguns de vocês nem tenham a noção de como são necessários e indispensáveis à minha vida.
Se eu pudesse voltar no tempo para mudar algo, voltaria ao início de 2005 e criaria fins de tarde e fins de semana totalmente livres para fazer NADA com vocês. A virada do ano tem dessas coisas... Faz com que tenhamos a sensação de vida nova, recomeço, esperança... Que venha 2006, e que os nossos encontros sejam mais frequentes. Abraços Annabel Lee

PS: A mensagem abaixo, apesar de eu não saber de quem é, vale a pena ser lida. Feliz Natal!

Quisera
Senhor, neste Natal,
armar uma árvore e nela
pendurar, em vez de bolas, os
nomes de todos os meus amigos.
Os amigos de longe, de perto. Os antigos e
os mais recentes. Os que vejo a cada dia e os
que raramente encontro. Os sempre lembrados e
os que às vezes ficam esquecidos. Os constantes e os
intermitentes. Das horas difíceis e os das horas alegres.
Os que, sem querer, eu magoei, ou sem querer me magoaram.
Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles de quem conheço
apenas a aparência. Os que pouco me devem e aqueles a quem muito devo.
Meus amigos humildes e meus amigos importantes. Os nomes de todos os que já
passaram pela minha vida. Uma árvore de raízes muito profundas para que seus nomes nunca sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos para que novos nomes vindos de todas as partes venham juntar-se aos existentes. Uma árvore de sombras muito
agradáveis para
que nossa amizade,
seja um momento de
repouso nas lutas da vida.