terça-feira, 10 de abril de 2012

Primeira frase do dia

Vovô toca pião (13) Antes de ontem, como de costume, por volta de 6:30 da manhã você acordou devagarinho.

Aos poucos ouvi pela babá eletrônica seus primeiros sons de preguiça e,  antes que você começasse a chamar pela mamãe ou pelo papai, afoita, com saudade do seu corpo, do seu cheiro, sentindo falta do seu calor nos meus braços, corri ao seu encontro.

 

Com suavidade, respeitando o seu ritmo lento ao acordar, retirei-o delicadamente do berço e, com você nos meus braços, sentei-me na cadeira do quarto ainda escuro.

Aninhado em meu peito, puxando meu pescoço e, de vez em quando,  levantando a cabeça para me olhar e sorrir por de trás do bico, você  disse a primeira frase do dia:
"vovô toca pião (piano), vovô toca vilolão, vovô toca vilolino."

E ponto.

Nosso dia começou.

Vovô toca pião (2)

Vovô toca violino (1) Vovô toca vilolão (13)

domingo, 1 de abril de 2012

Xixi no potinho

 1 ano e 8 meses na piscina (11)

Ontem fomos fazer o exame de urina para ver como andam as coisas sem o danadinho do antibiótico.

Chegamos ao laboratório e, sem susto nem choro,  colocaram dentro da sua fralda aquele coletor de plástico que você já conhece bem.

Num mesmo dia são admitidas apenas três tentativas, ou seja, o coletor pode ser trocado por no máximo três vezes ficando, cada um delas, até quarenta e cinco minutos no aguardo do  xixi.

Depois do segundo coletor e depois de quase duas horas passeando pelas árvores da avenina Bernardo Monteiro vendo caminhões, ônibus e as maritacas em festa celebrando a manhã gostosa de sábado percebemos que, por causa daquele plástico inconveniente,  você estava segurando o seu xixi.

Então, com uma torneira ligada, recorremos ao potinho.  E, retirado o coletor, bastou pedir uma única vez para você soltar o líquido dourado certeiro dentro do pote do laboratório.

Tal feito rendeu-lhe aplausos do papai e da mamãe e a admiração da atendente do laboratório principalmente  ao descobrir que, apesar do seu tamanho, você só tem um ano e dez meses.

Eita rapazinho esperto! 1 ano e 8 meses na piscina (8)

quarta-feira, 21 de março de 2012

O medo de amar

Meu filho,

No sábado de madrugada, numa pousada em Mário Campos, em um berço de almofadas delicioso que fiz para acolher a criança que fui, a mamãe se entregou ao medo de amar.

E esse medo, infelizmente, é um velho conhecido meu. É um sentimento que dói e machuca, que me paralisa, que me esgota. Mas, naquele dia, a mamãe se permitiu chorar e ‘chorou, chorou, chorou’ tal qual aquela música do passarinho na gaiola que você adora cantar. E a mamãe foi ficando assustada e o medo foi aumentando, aumentando, aumentando. E veio o medo de, com o meu choro,  acordar  as outras ‘crianças’ que dormiam suavemente naquele ‘Porto Seguro’.

E veio o medo de, com o meu choro doído, acordá-lo também. E o escuro da madrugada, e a solidão que tomava conta de tudo fez com que eu mergulhasse ainda mais naquele pavor que me abraçava. E o medo foi aumentando, aumentando tanto, que achei que iria morrer.

Quando supus que já tinha chegado no mais profundo do que o meu pânico permitia, uma ave de rapina cruzou o céu, bem baixinho e bem pertinho do berço que acolhia a mamãe na varanda daquela noite fria. E depois veio outra. E a mamãe, paralisada, não sabia se corria, se chorava ou se gritava. Apenas fui capaz de me encolher ainda mais, curvando-me à minha incerteza sobre o amor e na dor de perceber que, por medo, não em entrego plenamente à vida, às pessoas lindas que me rodeiam, ao amor e a você.

Isso porque na imaturidade da minha alma, por medo de que algo de ruim aconteça, por medo de te perder, por medo de não te merecer, ainda não sou capaz de me entregar plenamente ao amor, meu filho lindo.

E ao lado disso existe o medo de que, em algum movimento, eu perca o seu pai, e tem também o medo de perder seus avós, suas tias e tantas pessoas queridas. Medo de adoecer, de ficar dependente.  E medo de me entregar ao fluxo da vida. E a minha dificuldade de sentir a confiança de que tudo está certo, tudo no seu devido lugar, tudo no seu devido tempo. E finalmente os maiores medos  que são: o medo da vida e o medo da morte.

Aos poucos estou contando para minha alma insegura que não morremos de medo. Só  morremos se não formos capazes de amar plenamente a vida, as pessoas, a nós mesmos, pois como me ensinou a Carla Eboli,  o contrário do medo, meu filho,  não é a coragem, é o AMOR.

E quando o dia amanheceu trazendo luz para minha escuridão, ouvi seu chamado no berço do quarto: ‘oh mamãããe, mamãnheeeeee’   e, com ele, a alegria de estar viva e de poder aprimorar cada vez mais a minha forma de amar.

E fomos juntos tomar nosso café da manhã…

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Iogurte no Módulo PW (6) Iogurte no Módulo PW (7)

No dia seguinte, quando chegamos em casa, contei o que vivenciei para a vovó Marilia e para o seu vovô Bill. Contei que, no meio do meu medo, tive coragem de observar com cuidado as duas aves que, aos gritos, expressavam aquele todo aquele pavor, ajudando-me a me curvar a ele  e descobri que tratava-se de duas corujas brancas.

O Vovô Bill, com sua paixão por aves, correu aos livros e da pesquisa resultou que se tratava da Barn Owl. Do outro lado do telefone, a vovó Marilia contou que referida coruja era linda e que as danadinhas que tanto me assustaram naquela noite abençoada tinham o rosto em formato de coração!!!!

Barn Owl  Barn Owl

barn

 

barn owl day

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E veja nesse link como era o som que fazia aquele casal de corujas ao cantar o meu medo de amar:

http://www.allaboutbirds.org/guide/Barn_Owl/sounds/nc

 E enquanto eu escrevia essas palavras, lembrei-me desta música do Beto Guedes

O Medo de Amar e o Medo de Ser Livre

O medo de amar é o medo de ser
Livre para o que der e vier
Livre para sempre estar onde o justo estiver

O medo de amar é o medo de ter
De a todo momento escolher
Com acerto e precisão a melhor direção

O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar pra ficar

O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever: recusar o poder

O sol levantou mais cedo e cegou
O medo nos olhos de quem foi ver
Tanta luz

E eu daqui, pegando carona na inspiração do compositor, escolho “recusar o poder (recusar a ilusão do controle). Escolho abrir-me totalmente para que o sol entre na minha “casa fechada” cegando o medo dos meus olhos que buscam toda essa luz.

sábado, 10 de março de 2012

No more drugs

Filhotinho querido,

De repente você começou a falar tudo. Tudinho mesmo. Está até cantando! Com isso acabaram-se as listas das novas palavras incorporadas ao seu vocabulário.

Um ano e oito meses foi um marco e, em todos os sentidos, definitivamente, você deixou de ser um bebezinho.

A mudança no seu comportamento, sua fala, a forma como faz graça para atrair olhares, risos e aplausos me fazem perguntar , já com saudade, aonde foi  parar aquela criança tão timida e tão grudada no papai e na mamãe. Ao mesmo tempo, meu peito não cabe de tanto orgulho. Vamos aprendendo juntos  a lidar com as mudanças, aprendendo a  nos  divertir, a descobrir novas brincadeiras e novas formas de nos comunicarmos e o resto vai se acomodando gentilmente na rotina diária.

Estou feliz também pela capacidade de ter, rapidamente,  desenvolvido uma técnica para impedir o início das birras. É claro que isso MUITAS vezes não dá certo, mas já estou aprimorando técnicas de abortar os momentos de crise  quando você não quer nada, nada mesmo. Em muitas situações você precisa apenas esgotar seu choro, e respeitamos isso de longe. Depois tudo fica bem novamente.

Sempre me falaram que cada fase tem seu charme e que tudo só vai melhorando. No entanto,  desde que você nasceu, meio cética, acabo achando que estamos vivenciando a melhor fase. Daí vem a  sensação de que essa tal melhor fase está se acabando, mas vem a Dona Realidade e começa outra etapa ainda melhor. 

Com isso vou seguindo muito feliz com a forma que vamos nos adaptando, nos moldando e aproveitando o que esses dias  belamente tem oferecido a nós.

De quebra estou MUITO feliz pelo fato de você ter sido, finalmente,  liberado pelo nefrologista do uso do antibiótico que vinha fazendo uso desde a maternidade. Yiiipiiii!

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sexta-feira, 2 de março de 2012

Realidade ou sonho?

Acabei de me lembrar de um post que escrevi mentalmente, durante as nossas férias na Bahia, quando ficamos uma semana interinha desplugados, longe do computador,  dos e-mails e do celular.

Foi mais ou menos assim: Na vila da Praia do Forte, que fica pertinho da pousada onde nos hospedamos, estava acontecendo um festival de Jazz e, no sábado, teve um show do Milton Nascimento.

Ao descobrir a programação do evento, de imediato,  tive a idéia de te levar para a muvuca e assistir o show descalça, com os pés na areia, o vento no rosto, você dormindo no meu colo ao barulho do mar  e da musicalidade mineira do Bituca. Nem preciso dizer que essa linda imagem onírica não se concretizou. 

Quando seu sono chegou, ficamos morrendo de dó de te expor àquele som alto do show de abertura, àquela ventania que estava mais para furacão do que para brisa do mar e voltamos para a pousada de onde, para nossa surpresa,  pudemos ouvir o show todinho deitados na rede da varanda do quarto, sentido o frescor do mar, olhando as estrelas e depois a chuva que caiu, enquanto você dormia aconchegado no berço. 

E o show foi bárbaro. ‘Canção da América’, ‘Ponta de areia’, ‘Coração de estudante’, ‘Travessia’, ‘Sentinela’, ‘Caçador de mim’, ‘Bola de meia, bola de gude’, ‘Maria Maria’.

Fiquei muito emocionada, sentindo a música me preencher,  e absorvendo toda aquela emoção não cabendo dentro de mim. Você alí, dormindo o sono dos justos e o seu pai ao meu lado, sentado na varanda, num daqueles momentos perfeitos da vida em que dá vontade de congelar  o tempo e registrar na memória e na alma para que nunca se apague e se esvaia.

É filhote, as vezes a realidade é mais linda do que o sonho…

E essa letra vai para você:

 

Caçador de Mim

Milton Nascimento

Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim

Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

The terrible two

Com um ano e nove meses, de repente, aquele bebê doce, simpatico e risonho se transformou em um ser cheio de vontades, teimosias e desejos.

Suas frases não são muitas, mas são precisas: “sai dai”, “a lá” (olha lá) e as ordens são bem contundentes: “NÃO”, “TIRA”, BÍ (subir) “ABOU” (acabou) “SHUCO”, BOLO!

Você descobriu o poder da palavra NÃO e, ao mesmo tempo, começou a dar verdadeiros escandalos ao ser colocado no cadeirão, ao trocar a fralda, trocar de roupa,  entrar e sair do banho, ao ser colocado e retirado do carro, ao ser colocado para dormir e em toda e qualquer situação cotidiana e corriqueira que levemente te contrariar.

Há muito não topa ficar no carrinho, nem que seja por dez minutinhos. Na verdade, não aceita nem mesmo entrar na sala de ginástica do prédio.

Outro dia, no meio da praça, abriu o berreiro porque não te deixamos subir uma longa e perigosa escada. Agarrou o cabelo da mamãe berrando como um  louco e o papai veio socorrer o que só fez aumentar o escândalo e os olhares curiosos de todos que  passavam por lá .

Poucos dias depois  você se deitou no elevador gritando e batendo as pernas, até que a porta abriu e entrou um vizinho deixando o papai e a mamãe com cara de tacho e sem  a menor idéia do que fazer. Se ignorarmos, seremos classificados como negligentes e permissivos que não sabem educar. Se interviermos duramente, receberemos olhares desaprovadores por estarmos sendo tão duros com esse tão ‘encantador’  bebê de cachinhos dourados.

Saber que as birras fazem parte do desenvolvimento normal de toda criança não torna mais fácil lidar com elas e a palavra de ordem nessas últimas semanas tem sido paciência! Enquanto isso vamos nos divertindo com seu crescente vocabulário:

Bêbela – borboleta

Popoco – hipopótamo

Popota – porta

Mimino – menino

Mimina – menina

Coucou – cocõ

lão - violão

Quejo – queijo

Nela - janela

 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Domingo no zoo, para quê? Vamos passear na praça

Considerando que com um ano e oito meses você já sabe o que é um jacaré, uma girafa, elefante, zebra, macaco, pato, porco, galo, gato, tartaruga, passarinhos e borboletas, achamos que já estava na hora de levá-lo ao Zoológico.

O trajeto de carro até lá não é curto e você já chegou na Pampulha pronto para tirar uma boa soneca. No entanto, mal sabia que nossos planos eram outros…

Descemos do carro já na área dos elefantes que, por sorte, estavam pertinho de nós alimentando-se, mas você ficou muito mais  atento ao caminhão que transportava o café da manhã deles e nem ligou para o fato inusitado de estar tão perto dos maiores mamiferos terrestes.

E seguimos em frente. Vai ver que você não liga muito para os  elefantes, mas se surpreenderá com a altura das girafas!  Mas elas estavam longe, lá no fundo, também degustando as folhas verdinhas do café da manhã.

E bravamente continuamos o passeio, chegando a vez das zebras. Ahhh zebra é bem legal não  é papai?  Mas novamente, nenhum entusiasmo...

Como seu sono apertou, no caminho para a área dos primatas, paramos para um lanchinho estratégico.

Depois de uma banana e meia maçã, mais animadinho, ao invés de você se surpreender com a perfomace incrível  do  gorila Idi Amim batendo no peito, pulando nos seus brinquedos de madeira e desfilando lá em baixo no fosso (nunca tinha o visto tão bem humorado e exibicionista!), você ficou mais interessado em observar a reação de alegria e espanto das crianças que estavam ao nosso redor. E papai e mamãe pagando o mico de ficar repetindo: olha o macaco André!

De qualquer forma, persistência é algo que não nos falta. Sem nos darmos por vencidos,  seguimos corajosamente cantando e dando o maior vexame  em direção ao leão!

Lá chegando, o rei da selva estava justamente fazendo o que você mais queria fazer naquele momento, ou seja, estava deitado na sombra tirando uma bela duma soneca. Somente  quando você apontou para ele e disse: “oh o uau uau”, desanimados, concluímos que ainda está cedo para esse passeio e voltamos para casa nos divertindo a valer com os ônibus vermelhos, azuis, verdes e amarelos.

Para não dizer que  o fim de semana foi um fiasco, no sábado, nosso estilo de vida saudável foi registrado pelo jornal local da globo. E o papai, que não perde a piada,  comemorou o fato de não termos saído na parte policial do jornal.

http://g1.globo.com/videos/minas-gerais/t/todos-os-videos/v/projeto-caminhar-chega-ao-parque-jk/1788190/