Levei um tempo para descobrir algumas de minhas paixões.
Quando adolescente escolhi, quase que aleatóriamente, o meu Curso Superior.
Lembro-me com clareza do momento em que fui a uma agência dos Correios fazer a inscrição para o Vestibular e, como que em uma prova de multipla escolha, senti-me atônita olhando para o formulário com as opções em branco. O que marcar? Existe uma única resposta certa?
Somos levados a tomar essa decisão muito cedo, quando ainda não sabemos da infinidade de opções, quando ainda não nos conhecemos o bastante e não vivemos o suficiente para ter a oportunidade de experimentar tanta coisa bacana que esse mundão nos oferece.
A vida é tão rica e bela e existem tantos caminhos e possibilidades…
Hoje sigo gostando do que faço no meu trabalho, mas o que tem despertado verdadeira paixão e prazer na mamãe é a filosofia e teorias sobre psicoterapia e psicanálise.
Há algum tempo, cogitei a possibilidade de voltar à Universidade para estudar Psicologia. No entanto, a idéia de passar 5 anos fazendo provas, trabalhos em grupo, estudando autores e livros que não me interessam, assistindo aulas de professores, muitas vezes desmotivados e desatualizados e tendo que cumprir carga mínima de estágio tentando conciliar tudo com minha profissão, desanimaram-me completamente. Percebi que tenho outras prioridades.
Além disso, quando desconfiei que seria muito mais enriquecedor para o meu desenvolvimento como pessoa dedicar-me por inteiro ao meu novo projeto que era tornar-me sua mãe, a idéia de voltar à Universidade foi totalmente descartada.
Somente dez anos depois de conquistar a minha independência financeira descobri que posso estudar o que quero, quando e como eu quiser, e de uma forma mais descompromissada e prazerosa.
Percebi que posso me dar ao luxo de estudar por mero deleite, fazendo isso por conta própria e no meu ritmo.
Hoje, divirto-me com a possibilidade de, nos fins de semana, poder estudar deitada na rede da casa da vovó Marília, ouvindo passarinhos e observando os tucanos que esporadicamente passeiam por lá.
Posso também voltar a frequentar os encontros de “Cinema e Filosofia”, ou fazer uma pós graduação em Psicanálise, ou continuar participando de Seminários sobre filosofia apenas para não perder o foco.
Além disso, nos intervalos, pretendo continuar com os “debates” que eu e seu pai fazemos a dois, geralmente aos domingos, quando escolhemos e assistimos filmes que nos fazem refletir sobre a vida e sobre o ser humano.
Pituco, a vida muitas vezes não parece fácil, mas podemos e devemos nos divertir no caminho se tivermos criatividade e coragem para fazer o que desejamos.
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