quarta-feira, 6 de abril de 2011

6 de abril de 1991

Dizem que somos o que fazemos daquilo que nos acontece. E eu acho que é assim mesmo. Hoje, seis de abril de 2011, eu e seu pai completaremos vinte anos de namoro.

Dia desses, lembrei-me da angústia que sentia nos finais de domingo quando nos separávamos e,  provavelmente, não nos veríamos até a próxima sexta-feira.

Eu tinha - e ainda tenho – essa urgência de amar seu pai. Não sei de onde e nem por que existia em mim um sentimento de que eu não o teria por muito tempo, mas contrariando essa falsa crença, continuo com ele presente em mim e em minha vida e em quase tudo o que faço há vinte anos.

Vivi e continuo vivendo esse amor de forma inteira, com a consciência de que isso é o que tenho  de mais precioso na minha vida.

Encontrar seu pai  pelo caminho foi a melhor coisa que me aconteceu. Logo que o conheci senti aquele alívio que sentimos quando encontramos a pessoa certa. Eu tinha 16 anos e ele 23. 

Não sei quem eu seria sem a presença doce dele. Juntos temos o melhor um do outro. Ninguém me conhece tanto quanto seu pai. Para ele eu me desnudo por inteiro. Revelo todos os meus medos e não tenho vergonha dos meus inúmeros defeitos.

Ao lado dele sinto-me segura para ser eu mesma e fico a vontade para  não  saber.  E eu não sei.

Seu pai me conhece sem eu precisar falar, mas eu falo, e falo muito. E escrevo. Escrevo tentando entender. Escrevo tentando descobri minhas nuances.

Ninguém me aceita assim, tão inteira com tudo de bom e de ruim que existe em mim. Para completar, seu pai tem um senso de humor delicioso, é suave, leve, sensato.

Sigo adorando conversar com ele. Continuamos fazendo planos de envelhecer juntos, e acho que isso pode dar certo já que continuamos gostando da companhia um do outro.

Amar, André, é escolher a cada dia continuar juntos. Ao longo desses vinte anos temos feito – e refeito-  essa escolha fequentemente.

Duas pessoas diferentes tentando seguir o mesmo caminho. É difícil mesmo. Existem momentos de dúvida e de dificuldade. Momentos em que precisamos de espaço, que precisamos ficar sozinhos. E ficamos. Apesar de tanta cumplicidade e intimidade existe muito respeito e uma sensibilidade mútua para perceber quando é hora de se recolher e dar espaço para o outro respirar.

Não sei quem eu seria sem ele assim como hoje já não sei quem eu era antes de você, meu filho. Descubro-me, um pouco a cada dia. Acho  que vai ser assim até o fim. Essa é a beleza da vida. Essa é a beleza de amar.

Um comentário:

  1. Parabéns mamãe e papai!!! A titia também fica muito feliz em vê-los seguindo pela estrada da vida,cheios de histórias pra contar!!!Você veio enfeitar esse jardim de amor dos seus pais André! Que o Universo abençõe esta família hoje e sempre!

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